everybody loves reggae

por el roquer 22 jan

Hoje, oficialmente, o Tons of Nada passa a dividir com o brodi chico dub o “everybody loves reggae”. A intenção do blog é mapear, de forma mais abrangente possível, como a influência da música jamaicana se manifesta nos outros estilos musicais. Pra marcar o momento resolvi fazer um mixtape que vai de rolling stones a serge gainsbourg, de modeselektor a caetano veloso. Na sequência uma pequena explicação pra escolha de cada música.

Tons of Nada – everybody loves reggae by Tons of Nada


**everybody loves reggae
1. Intro

**the clash loves reggae
2. the clash (feat. mikey dread) – living In Fame (1980)

Saber que as primeiras festas punk eram feitas com discos de reggae, aliás, a relação
entre o clash e a jamaica justifica eles serem os primeiros aqui.

**the rolling stones loves reggae
3. the rolling stones – cherry oh baby (1976)

Não teria como deixar a paixão do Keith Richards pela música jamaicana de fora.

**andrew wheterall loves reggae
4. sabres of paradise – duke of earlsfield (1994)

Sir wheterall foi o responsável por eu perceber pela primeira vez que o dub podia se misturar com a música eletrônica. O SOP é especialista nisso.

**cibo matto loves reggae
5. cibo matto – sugar water (1996) X cocoa t, home t & shabba ranks – pirates anthem (version) (1988)

É improvável, mas, é real. Sempre me impressionou como a base dessas duas músicas são iguais. Mesmo assim foi a parada mais difícil de mixar.

**massive attack loves reggae
6. massive attack – five man army (1991)

Acho que o Massive foi responsável por situar toda uma geração com relação a importância do reggae e do dub. E eles foram geniais ao incorporarem o Horace Andy a banda.

**nina hagen loves reggae
7. nina hagen – african reggae (1979)

A garota de Berlim se livrando do supla e levando o reggae para os alpes. Gosto muito dos efeitos nessa música.

**mano negra loves reggae
8. mano negra (feat. carlos de nicaragua) – el elakran (la mar esta podrida) (1994)

O Mano Negra sempre foi o equivalente do Clash na cultura latina. Aqui, Manu Chao reverencia o raggamuffin com a grande participação do Carlos de Nicaragua.

**soup dragons loves reggae
9. soup dragons (feat. junior reid) – i’m free (1989)

Era o único clichê que eu queria fugir. Mas, foi inevitável incluir a mistura mais relevante do rock indie com a música jamaicana. E eles escolheram muito bem ao colocar o Junior Reid pra fazer o toast. Tenho a impressão que a maior parte das pessoas escuta essa música esperando o momento em que ele começa a cantar.

**the orb loves reggae
10. the orb – perpetual dawn (1991)

Alex Paterson sempre foi um fissurado por dub. Perpetual Dawn é uma das minhas músicas favoritas do Orb.

**bally sagoo loves reggae
11. bally sagoo – bad munda dub (2001)

O bally sagoo é a prova de que você não deve confiar num produtor que nunca tenha ouvido falar de Dub. Ele não só ouviu como conhece muito sobre o assunto. Pra mim, é o melhor produtor indiano de música eletrônica.

**modeselektor loves reggae
12. modeselektor (feat. ninjaman) – weed wid da macka (2006)

O modeselektor sempre esteve uma passo a frente por entender profundamente a importância da produção musical jamaicana. Aqui eles investigam o dna de um riddim, com o auxílio super luxuoso do Ninja Man.

**leftfield loves reggae
13. leftfield – inspection (check one) (1995)

Dos grupos de música eletrônica o Leftfield com certeza é o que pega mais pesado com o crossover entre o digital e o dub. Até hoje não acredito no som que eu vi eles fazerem ao vivo. Parada seríssima!

**kruder & dorfmeister loves reggae
14. kruder & dorfmeister – lexicon (1998)

Os austríacos K&D são fantásticos nas suas releituras dub de diversas músicas. Acho que eles são imbatíveis nessa praia.

**angelo badalamenti loves reggae
15. angelo badalamenti – dub driving (1996)

O cinema do David Lynch encontra a Jamaica.

**primal scream loves reggae
16. primal scream – living dub (1997)

O Primal Scream talvez seja o melhor resultado da influência da música jamaicana no rock. Essa faixa é do Echo Deck, um disco de dub deles.

**serge gainsbourg loves reggae
17. serge gainsbourg (feat. king stitt) – laids des laids (1979)

Essa eu devo a minha amiga Mari Mira, que me lembrou dessa participação do King Stitt no single de Laids des Laids. Eu ia usar outra música do “Aux Armes Et Caetera”, disco do gainsbourg que, entre outros, conta com a participação do Sly & Robbie.

**joe jackson loves reggae
18. joe jackson – battleground (1980)

Joe jackson, nesta faixa, homenageia o Linton Kwesi Johnson. Acho que é suficiente pra justificar a escolha.

**pj harvey loves reggae
19. pj harvey – written on the forehead (2011)

Tenho a impressão que essa música deixou muita gente surpresa. Pra mim, faz todo sentido que um disco conceitual sobre a Inglaterra, como o Let England Shake, da Pj Hervey, faça referência, em algum momento, ao legado da cultura jamaicana na terra da rainha.

**new order loves reggae
20. new order – turn the heater on (1982)

O New Order, por usar escaleta (e a relação desse instrumento com o Augustus Pablo), desde sempre, me chamou a atenção para o dub. Aqui eles mostram como esfriar o estilo musical de uma ilha tropical com a releitura de um clássico do keith Hudson.

**basement jaxx loves reggae
21. ronnie richards – missing you (jaxx wild dub) (1997)

O Basement Jaxx descobriu o Ronnie Richards dividindo salas de um mesmo estúdio. O resultado foi que, além de contratarem ele pra gravadora deles, remixaram de forma absurda esse single. É umas das minhas músicas favoritas pra tocar em festa.

**munchi (and crookers) loves reggae
22. munchi (feat. mr lex) – shottas (crookers remix) (2010)

O Munchi, chamou o jamaicano Mr Lex pra cantar nessa faixa. Em Shottas ele vincula o Moombahton com a sua referência jamaicana. De quebra ainda tem os Crookers, que até dancehall já produziram, no remix.

**caetano veloso loves reggae
23. caetano veloso – nine out of ten (1972)

Caetano, goste ou não, a frente do seu tempo: foi a primeira vez que a palavra “reggae” foi utilizada na música brasileira.

ainda a macaca…

por el roquer 24 jan

Eu já tinha escutado “Ya Yo Sé”, do Chico Mann, há um tempo atrás quando a Fader disponibilizou o mp3 pra download no seu site. Mas a ficha só caiu ouvindo ela no set do Chico Dub, na Dancing Cheetah….virou trilha sonora pra tudo nos últimos dias…

Nostalgia de uma felicidade que não vivi!

Por que você toca? (Chico Dub)

por el roquer 13 out

chico


Aproveitando que nessa quinta tem a Dancing Cheetah super especial (com o Poirier, Maga Bo, FletcherLucas Santtana), o “Por que você toca?” é com ele, o dono da macaca, Chico Dub. Antes, um pequeno parênteses: durante muito tempo o Chico foi a pessoa que tinha o som mais identificado com o meu, principalmente na época da Jamaica Hi-Fi. O lance era tão engraçado que a gente pensou até em fazer uma brincadeira de tocar com os cases trocados. Agora, nessa sua “nova” fase, ele deu uma guinada no som e entrou de cabeça no global guettotech. Nada de mais pra quem sempre foi ligado a diversos estilos, tenho certeza que os seus sets continuam a serviço dos bons sons! Então, com a palavra, ele, o cara da cumbia e dos sons terceiromundistas: Chico Dub!
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Rockers Hi-Fi – Transmission Central

Sempre gostei do lado mais eletrônico do dub. Me lembro que a gota d’água preu começar a comprar discos e equipamentos foi um DJ set do pessoal da Different Drummer (Inglaterra), gravado em 2004 prum site alemão. O DNA desse selo tem suas raízes no finado Rockers Hi-Fi, talvez a minha maior influência desse estilo de dub. Meu objetivo quando comecei a tocar era mesclar o dub e o reggae jamaicano com o UK dub (steppers) e essa linha eletrônica de dub puxada pela Diff Drum, G-Stone, Basic Channel, ON-U Sounds antiga e a fumaça de Bristol. Pensava nessa etapa final da tríade como o som perfeito para sessões de chill out e sets cabeçudos, sem muito a necessidade de pista.
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Iration Steppas Sound System – Sub Dub 1

Outro fato que marcou muito a minha vida foram minhas primeiras experiências num sound system, no caso o holandês King Shiloh. Era 2002 e numa das duas vezes que fui tive uma experiência extra-corporal muito foda. O sub grave mexe com você, não tem jeito. Meditate on bass weight. Esse vídeo do Iration Steppas me lembra um pouco do que vivi naqueles dois dias e por isso incluí ele aqui nesta seleção. Hoje felizmente no Brasa temos o Dubversão Sistema de Som, de São Paulo, representante mor desse estilo.
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Los Fabulosos Cadillacs – Matador

Ouvi heavy metal e punk rock californiano toda a minha adolescência. Ainda hoje curto Black Sabbath e stoner rock, coisas tipo Kyuss, Fu Manchu, Monster Magnet, Clutch. Depois mergulhei no universo da Jamaica e hoje venho me dedicando a pesquisas mais globais e periféricas. Sou muito cobrado por não continuar com meu blog de dub e por não tocar mais com frequencia as paradas jamaicanas. Mas, na boa, fiz coisa pra ca-ra-leo pra divulgar o dub no Brasil e me sinto com o dever cumprido. Quando hoje vejo a profusão de sites, blogs e DJs que vão além de Marley, Tosh e afins, fico felizão. Los Fabulosos marcou minha adolescência (sempre ouvi de tudo!) e sempre que toca na Cheetah é uma das mais empolgantes
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The Clash – This is Radio Clash

Fala sério, né? Que banda. Precisa falar mais?
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Carmensita (Toy Selectah Raverton Refix) – Devendra Banhart

Dentre tudo que tenho ouvido recentemente, o que mais tenho gostado de ouvir é cumbia. Acho que há um ano e meio mais ou menos ouço cumbia compulsivamente. É muito estranho um gênero tão popular na América Latina ser completamente desconhecido aqui no Brasa. Quero divulgar e tocar nas minhas festas os clássicos mas dar prioridade a nova geração de gente como El Remolón, Fauna, Sonido del Principe, Uproot Andy e Toy Selectah, esse último um dos pioneiros da globalização do estilo. Essa versão de Carmensita é irresistível; uma das melhores novas cumbias que você pode ouvir hoje.